Encadernação Artística

domingo, 21 de novembro de 2010

o Grude nosso de cada dia.


O grude é o adesivo que tem a mais antiga constância de uso, utilizado desde a alba da civilização até hoje. São séculos  de emprego. 
Sua natureza flexível, forte e  pegajosa é ideal para encadernação embora quando submetido ao rigor extremo de temperatura e humidade alta, propicie uma rica base para alimento dos fungos. Outra característica importante é ser reversível. Utilizo com frequência principalmente quando trabalho com couro. Os adesivos de base vinilica (pva) produzem efeito desastroso no couro, tornando-o ressequido e craquelado, o mesmo não acontece quando aplico grude.
Outro emprego que faço diariamente com grude é na marmorização de papel. Utilizo a mais antiga técnica de pintura sobre papel. Não é necessário ser um estudante de artes plásticas ou mesmo um artista, esta técnica dispensa qualquer dote artístico ou similar. É incrível todo mortal se imaterializa, basta saber a fórmula secreta de como fazer um bom grude.
Há duas fórmulas consagradas pelo uso ao longo dos séculos, a primeira usada no Japão tem como base o arroz, a segunda empregada no ocidente tem com base o trigo ou fécula de milho.
Utilizei a formúla de arroz, porém é trabalhosa e cara, aqui no Desterro é difícil conseguir  o arroz tipo motti. O motti é mais gostoso cozido com peixe. Segundo a lenda dos calígrafos japoneses, são necessários 10 anos para que o grude fique no ponto.
A fórmula que uso cotidianamente, é feita com fécula de milho, superior ao trigo. A fécula de milho é mais brilhante e se espalha de maneira mais doce, não deixa grumos, é delicada e flexível, outra possíbilidade é acrescentar um pouco de leite e canela o resultado é um gostoso mingau.
O segredo do grude esta no equilíbrio dos ingredientes, na paciência, no fogo lento que aquece o atanor, na estrutura química similar entre a celulose e o amido.


atanor 


Fórmula


1.  10 partes de àgua deionizada ou filtrada.
2.  100 g de fécula de milho - nome comercial Maizena
3.  25 g sal ou pedra hume - prefiro o sal de cozinha comum.
4. 5 gotas de pinho sol - tem função de evitar os fungos. 2 dentes de alho também oferece o mesmo resultado.
5. 2 ml de detergente de cozinha neutro - base de glicerina - faz com que o grude se espalhe docemente.
Quando emprego na marmorização de papel separo em pequenos potes e acrescento as tintas.


Modo de fazer.


Dissolva os 100g  fécula com as 10 partes de água fique atento para não deixar pelotas, adicione o sal. Acrescente mais água aos poucos e leve ao fogo brando - cozinhe em banho-maria mexendo sempre no mesmo sentido. Quando íniciar a fervura e a cor esbranquiçada se tornar transparente, retire do fogo.
Coe em uma peneira fina, deixe esfriar e acrescente os outros ingredientes. 
O tempo de duração é curto, no inverno dura uma semana, no verão tres dias.
Só a prática faz o monge.









4 comentários:

Vivian disse...

Oi. Tenho acompanhado o blog. Parabéns. É mto interessante. Sou uma curiosa... tenho feito alguns cadernos para uso próprio e para familiares e amigos (vendo as técnicas na internet e pesquisando). Gostaria de uma dica, se possível: o miolo do meu caderno fica sempre irregular. como faço (sem ferramentas muito específicas) para deixá-lo com uma aparência mais consistente (é refilar, o termo?)?

Vivian disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Kézia Tokelau disse...

obrigada!!!
a solução é refilar. dica procure uma gráfica na sua cidade, aqui em Floripa as gráficas cobram entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por volume.

Gabriela Irigoyen disse...

Parabéns pelo blog! Os posts são interessantes e bem escritos! Muito bom!Um abraço!