quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MONTEIRO LOBATO E A VINGANÇA DA ÁFRICA


Texto de Janer Cristaldo - cristaldo.blogspot.com

MONTEIRO LOBATO E
A VINGANÇA DA ÁFRICA



Comentei ano passado o ridículo parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), datado de 2010, que sugeriu que o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, não seja distribuído a escolas públicas, ou que isso seja feito com um alerta, sob a alegação de que é racista.

Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. "Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano", diz a conselheira que redigiu o documento, Nilma Lino Gomes, professora da UFMG. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de "negra". Outra diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".

Esta mania vem de longe, desde os dias em que as esquerdas adotaram o politicamente correto, em verdade um eufemismo para o stalinismo na literatura e nas artes. O MEC liberou, em ato homologatório do mesmo ano, a presença da obra no programa, desde que os exemplares distribuídos fossem acompanhados de uma nota explicativa. A nota deveria discutir "a presença de estereótipos raciais na literatura" de Monteiro Lobato e oferecer a devida contextualização histórica.

Segundo a Folha de São Paulo, isso não pareceu suficiente para o Iara (Instituto de Advocacia Racial), do Rio, que impetrou mandado de segurança pedindo a reforma do ato homologatório do MEC.

O texto da ação diz: "Não há como se alegar liberdade de expressão quando a obra faz referências ao 'negro' com estereótipos fortemente carregados de elementos racistas. Não somos contra a circulação do livro. Mas entendemos que uma nota explicativa não basta", disse à Folha o advogado Humberto Adami, que representa o Iara.

Pois bem. Ontem à noite, o Supremo Tribunal Federal se reuniu, em audiência de conciliação, convocada pelo ministro Luiz Fux, para discutir a distribuição do livro às escolas públicas.

Se o CNE viu racismo na abordagem de Tia Nastácia, é porque não leu O Presidente Negro, onde Lobato reduz os negros a pó de mico. Para Miss Jane, personagem americana do romance, a América seria a privilegiada zona que havia atraído os elementos mais eugênicos das melhores raças européias. O Mayflower trouxera homens de uma têmpera superior que não hesitaram um segundo “entre abjurar das convicções e emigrar para o deserto”. As leis de imigração se tornam seletivas e as massas que procuravam a América, já em si boas, são peneiradas. A Europa é drenada de seus melhores elementos e no novo mundo resta a flor dos imigrantes.

Ocorre então o que Miss Jane chama de “o erro inicial”: entra no país, à força, o negro arrancado da África. O Sr. Ayrton observa que o mesmo erro foi cometido no Brasil, mas nossa solução foi admirável: em cem ou duzentos anos teria desaparecido o nosso negro em virtude de cruzamentos sucessivos com o branco.

Miss Jane não julga admirável tal solução, mas medíocre, pois estraga as duas raças ao fundi-las. Prefere que ambas se desenvolvam paralelas dentro do mesmo território, separadas por uma barreira de ódio, a mais profunda das profilaxias. Para ela, o ódio mantém as raças em estado de relativa pureza.

Ninguém perde por esperar. No dia em que os intelectuais do CNE lerem algo mais que a literatura infantil do taubateano, O Presidente Negro será alvo dos inquisidores. Mais dia menos dia, será censurada entre nós qualquer tradução de Martín Fierro. Pois o negro não fica bem na obra de Hernández. Retraduza-se também a Bíblia, onde no Cântico dos Cânticos Sulamita diz: "Eu sou negra, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão". Vamos à Vulgata Latina, tradução da qual deriva a maior parte das traduções atuais. Lá está: nigra sum, sed formosa. A Vulgata, por sua vez, deriva da tradução dos Septuaginta - feita a partir do original hebraico - onde está, em grego: Melaina eimi kai kale.

Mesmo admitindo – para efeitos de raciocínio apenas – que a alusão foi racista,Caçadas de Pedrinho é um livro de ficção. No fundo, o que se pretende é censurar o direito de um escritor definir seus personagens como bem entende. Lobato, efetivamente, não via o negro com bons olhos, como se pode ver em O Presidente Negro. Ora, dirá um leitor mais benévolo, é apenas mais uma ficção. Pode ser.

Mas A Barca de Gleyre(Cia. Editora Nacional, 1944), que reúne a correspondência ativa de Lobato com o escritor mineiro Godofredo Rangel, entre 1903 e 1943, não é ficção. E lá está:

“Estive uns dia no Rio (…). Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi ?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!…”

Mas seria pedir demais que os intelectuais do CNE lessem a correspondência do autor. Se os movimentos negros querem censurar Caçadas do Pedrinho, com mais razões devem censurar O Presidente Negro ou A Barca de Gleyre. Iara diz não ser contra a circulação do livro. Mas entende que uma nota explicativa não basta. Quer o quê então? Uma substituição de palavras? Seria uma mutilação do texto. Um anexo com um discurso explicativo? Seria ridículo.

O STF terminou sua reunião sem chegar a conclusão alguma. Transferiu a decisão para o próximo dia 25. Após a reunião, Cesar Callegari, secretário de educação básica do MEC, manteve a posição inicial do governo de combate à censura. "Nós somos completamente contrários a qualquer forma de censura, ainda mais um autor como Monteiro Lobato. Não vamos censurar Monteiro Lobato".

Ora, não há nenhuma solução além de duas. Ou se censura um clássico nacional... ou se deixa como está, única solução sensata. Esses ativistas do movimento negro, que vêem pêlos em ovos, que enfiem a viola no saco.

MONTEIRO LOBATO E A VINGANÇA DA ÁFRICA


Texto de Janer Cristaldo - cristaldo.blogspot.com

MONTEIRO LOBATO E
A VINGANÇA DA ÁFRICA



Comentei ano passado o ridículo parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), datado de 2010, que sugeriu que o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, não seja distribuído a escolas públicas, ou que isso seja feito com um alerta, sob a alegação de que é racista.

Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. "Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano", diz a conselheira que redigiu o documento, Nilma Lino Gomes, professora da UFMG. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de "negra". Outra diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".

Esta mania vem de longe, desde os dias em que as esquerdas adotaram o politicamente correto, em verdade um eufemismo para o stalinismo na literatura e nas artes. O MEC liberou, em ato homologatório do mesmo ano, a presença da obra no programa, desde que os exemplares distribuídos fossem acompanhados de uma nota explicativa. A nota deveria discutir "a presença de estereótipos raciais na literatura" de Monteiro Lobato e oferecer a devida contextualização histórica.

Segundo a Folha de São Paulo, isso não pareceu suficiente para o Iara (Instituto de Advocacia Racial), do Rio, que impetrou mandado de segurança pedindo a reforma do ato homologatório do MEC.

O texto da ação diz: "Não há como se alegar liberdade de expressão quando a obra faz referências ao 'negro' com estereótipos fortemente carregados de elementos racistas. Não somos contra a circulação do livro. Mas entendemos que uma nota explicativa não basta", disse à Folha o advogado Humberto Adami, que representa o Iara.

Pois bem. Ontem à noite, o Supremo Tribunal Federal se reuniu, em audiência de conciliação, convocada pelo ministro Luiz Fux, para discutir a distribuição do livro às escolas públicas.

Se o CNE viu racismo na abordagem de Tia Nastácia, é porque não leu O Presidente Negro, onde Lobato reduz os negros a pó de mico. Para Miss Jane, personagem americana do romance, a América seria a privilegiada zona que havia atraído os elementos mais eugênicos das melhores raças européias. O Mayflower trouxera homens de uma têmpera superior que não hesitaram um segundo “entre abjurar das convicções e emigrar para o deserto”. As leis de imigração se tornam seletivas e as massas que procuravam a América, já em si boas, são peneiradas. A Europa é drenada de seus melhores elementos e no novo mundo resta a flor dos imigrantes.

Ocorre então o que Miss Jane chama de “o erro inicial”: entra no país, à força, o negro arrancado da África. O Sr. Ayrton observa que o mesmo erro foi cometido no Brasil, mas nossa solução foi admirável: em cem ou duzentos anos teria desaparecido o nosso negro em virtude de cruzamentos sucessivos com o branco.

Miss Jane não julga admirável tal solução, mas medíocre, pois estraga as duas raças ao fundi-las. Prefere que ambas se desenvolvam paralelas dentro do mesmo território, separadas por uma barreira de ódio, a mais profunda das profilaxias. Para ela, o ódio mantém as raças em estado de relativa pureza.

Ninguém perde por esperar. No dia em que os intelectuais do CNE lerem algo mais que a literatura infantil do taubateano, O Presidente Negro será alvo dos inquisidores. Mais dia menos dia, será censurada entre nós qualquer tradução de Martín Fierro. Pois o negro não fica bem na obra de Hernández. Retraduza-se também a Bíblia, onde no Cântico dos Cânticos Sulamita diz: "Eu sou negra, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão". Vamos à Vulgata Latina, tradução da qual deriva a maior parte das traduções atuais. Lá está: nigra sum, sed formosa. A Vulgata, por sua vez, deriva da tradução dos Septuaginta - feita a partir do original hebraico - onde está, em grego: Melaina eimi kai kale.

Mesmo admitindo – para efeitos de raciocínio apenas – que a alusão foi racista,Caçadas de Pedrinho é um livro de ficção. No fundo, o que se pretende é censurar o direito de um escritor definir seus personagens como bem entende. Lobato, efetivamente, não via o negro com bons olhos, como se pode ver em O Presidente Negro. Ora, dirá um leitor mais benévolo, é apenas mais uma ficção. Pode ser.

Mas A Barca de Gleyre(Cia. Editora Nacional, 1944), que reúne a correspondência ativa de Lobato com o escritor mineiro Godofredo Rangel, entre 1903 e 1943, não é ficção. E lá está:

“Estive uns dia no Rio (…). Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi ?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!…”

Mas seria pedir demais que os intelectuais do CNE lessem a correspondência do autor. Se os movimentos negros querem censurar Caçadas do Pedrinho, com mais razões devem censurar O Presidente Negro ou A Barca de Gleyre. Iara diz não ser contra a circulação do livro. Mas entende que uma nota explicativa não basta. Quer o quê então? Uma substituição de palavras? Seria uma mutilação do texto. Um anexo com um discurso explicativo? Seria ridículo.

O STF terminou sua reunião sem chegar a conclusão alguma. Transferiu a decisão para o próximo dia 25. Após a reunião, Cesar Callegari, secretário de educação básica do MEC, manteve a posição inicial do governo de combate à censura. "Nós somos completamente contrários a qualquer forma de censura, ainda mais um autor como Monteiro Lobato. Não vamos censurar Monteiro Lobato".

Ora, não há nenhuma solução além de duas. Ou se censura um clássico nacional... ou se deixa como está, única solução sensata. Esses ativistas do movimento negro, que vêem pêlos em ovos, que enfiem a viola no saco.

domingo, 9 de setembro de 2012

Oficina de Cianotipia


cianotipia realizada em 2007

O que é a cianotipia ? 
A cianotipia difere das fotografias fixadas em prata, fotos  em PB, pois utiliza na sua fórmula sais de ferro.
Os sais de ferro são sensíveis a luz UV, essa descoberta devemos a Sir John Herschel que em 1842 desenvolveu a fórmula básica da cianotipia.

Quando?
27 e 28 de Setembro de 2012

Onde?
Museu da Escola Catarinense, 
Rua Saldanha Marinho 196.

Horário?
 13 horas e 30 min às 17 horas.

Data?
27 e 28 de Setembro

Número de vagas?
20 vagas 

Inscrição?

Participação aberta e gratuita a todos os diletantes dos processos históricos da fotografia. 


Material oferecido na Oficina

1.    25 gramas de citrato de amónio férrico verde.
2.    10 gramas de ferricianeto de potássio
3.    Água destilada ou deionizada
Placas de vidro, pinças e grampos.

Cada inscrito deverá trazer - um bloco de papel canson - linha estudante - 
Onde comprar - na loja da Japa no Mercado.
1. Avental e luvas.

Apoio - Mesc/Udesc




sábado, 18 de agosto de 2012

Minha Boêmia


Minha Boêmia


Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Sob o céu, Musa! Eu fui teu súdito leal;
Puxa vida! A sonhar amores destemidos!

O meu único par de calças tinha furos.
- Pequeno Polegar do sonho ao meu redor
Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.
- Os meus astros nos céus rangem frêmitos puros.

Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,
Nas noites de setembro, onde senti tal vinho
O orvalho a rorejar-me as fronte em comoção;

Onde, rimando em meio à imensidões fantásticas,
Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas
E tangia um dos pés junto ao meu coração!

Arthur Rimbaud

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Conceito versus Realidade



Conceitos

Preservação: é um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a preservação da integridade dos materiais.

Conservação: é um conjunto de ações estabilizadoras que visam desacelerar o processo de degradação de     documentos ou objetos, por meio de controle ambiental e de tratamentos específicos(higienização, reparos e acondicionamento).

Restauração: é um conjunto de medidas que objetivam a estabilização ou a reversão de danos físicos ou químicos adquiridos pelo documento ao longo do tempo e do uso, intervindo de modo a não comprometer sua integridade e seu caráter histórico.

fonte: http://www.arqsp.org.br/arquivos/oficinas_colecao_como_fazer/cf5.



 Realidade

 

 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Tintas Ferrogalicas

Imagem de: http://www.alvissaras.50webs.com/eanes.html
A quem interessar possa informo; as Tintas Ferrogalicas não foram  feitas com o óleo das baleias caçadas na ilha de Santa Catarina no século XVIII.
A tinta ferrogálica é a tinta mais importante da história do ocidente. Conhecida pelos Romanos e utilizada desde  a  Alta Idade Média - século XII. 
É uma tinta difícil de apagar - exceto quando lavada com hipoclorito - logo muito útil para todos os tipos de registros. Em todos os acervos tanto de museus quanto de bibliotecas, urbi et orbi, em qualquer sítio,  encontramos documentos, obras de arte, partituras musicais, atas e registros escritos com tinta ferrogálica.
Leonardo da Vinci, Tiepolo, Goethe, D. Pedro I, Pero Vaz de Caminha, D. Pedro II, Floriano Peixoto, Barão de Batovi, Marques de Pombal, Ir. Joaquim, Alexandre de Gusmão, Joana de Gusmão, o rábula da esquina, todos sem exceção usavam a tinta ferrogálica, por que era o que havia. O desenvolvimento das tintas sintéticas começa em 1867, portanto no século XIX.
O que é a Tinta Ferrogálica?
A tinta ferrogálica é um composto de quatro ingredientes básicos; extrato de ácido tánico - obtido da nóz do carvalho, sulfato ferroso, goma arábica e água. Esta é a  fórmula básica,  não há uma receita definitiva, em lugares de clima frio se usa brend, álcool.  Para colorir mapas, acrescenta-se tintura de pau Brasil,  tintura de pau Campeche. Não há registro de óleo de baleia.
A durabilidade, varia de acordo com a composição da tinta e a qualidade do suporte, papel ou pergaminho.
A tinta ferrogálica em contato com a luz e o oxigenio, se torna corrosiva e ataca o suporte, tanto faz se é papel ou pergaminho, por que o resultado desta mistura é altamente ácido. 
Originariamente a cor da tinta oscila entre o negro, negro azulado, com o passar do tempo muda para o marrom, é uma tinta instável, a acidez da tinta migra de uma página para outra página produzindo sombras, manchas borradas. 
A corrosão,  acontece devido a natureza higroscópica do papel - quando a umidade  da atmosfera esta alta se expande, quando esta baixa as fibras do papel se contraem, tornando o papel quebradiço. O resultado da degradação da celulose e a reação química da tinta danificam o papel. Porém não é em um século que este fenômeno ocorre, é lento e depende muito das condições e dos cuidados, da conservação.
Fatores de degradação;
- a tinta: composição e quantidade aplicada.
- o papel: composição e espessura.
- acondicionamento, condições sanitárias do acervo.
- luz: solar, luz ultra violeta.
- restauradores: lavar o papel a fim de deixá-lo branco com hipoclorito.

 Saiba mais em :  Manual do Artista de Ralf Mayer, Segredos de Oficina.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Navegar é Preciso

Foto PRW


Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

terça-feira, 17 de julho de 2012

OFICINA DE CONSERVAÇÃO PREVENTIVA E ENCADERNAÇÃO






OFICINA DE CONSERVAÇÃO PREVENTIVA  E  ENCADERNAÇÃO

Local: Museu Escola Catarinense  - MESC  R. Saldanha Marinho 196
Data: 07 a 09 de agosto.
Número de Vagas - 20
Contato - infolio@hotmail.com 
Apoio - Museu Escola Catarinense MESC UDESC

Objetivo
Proporcionar aos alunos noções básicas de conservação em suporte papel, pequenos reparos.

Conteúdo

 História do Papel e agentes de degradação;
Higienização
Pequenos reparos.
Acondicionamento.
Tipos de Papeis e suas diferentes gramaturas. 
Colas utilizadas.
Marmorização de Papéis - técnica com engrudo

Metodologia
Aulas teóricas e aulas práticas

Público alvo
Estudantes, profissionais da área de Biblioteconomia, Arquivologia, História e comunidade.

Carga horária
20 horas.

Horário
13h00 às 18h00.

Certificado
Será concedido  certificado aos participantes que obtiverem 80% de frequência

Investimento
R$ 150,00  Estudantes tem direito a 50% de desconto


Material
Incluso no valor da inscrição.  

sábado, 7 de abril de 2012

Oficina de Cadernos Cinéticos

Local - Museu da Escola Catarinense.
Data - 28, 29 e 30 de Março.
Oficina de Cadernos Cinéticos
Piano, piano se vá lontano.



Estruturas Cruzadas





Sanfonas

terça-feira, 20 de março de 2012

Caderno Cinético







O Caderno Cinético ou caderno-objeto é um suporte do processo criativo. O desafio é encadernar de forma harmônica, materiais diversos e distintos entre si, tanto quanto sua natureza ou seus estados. Mutável e acolhedor, é um espaço para desenvolver sua criatividade. 



Material – Além do material tradicional empregado na encadernação estaremos oferecendo outros suportes: disco de vinil, tecidos, papel de parede, caixa de ovo, fitas k7, madeira, botões e etc.
Técnica – Costura estilo copta, borboleta, piano, estrutura cruzada, costura japonesa .



Público Alvo – Alunos do curso de Moda, Design e outros interessados.



Número de Vagas - 10 (dez vagas).



Carga horária – 20 horas


Local – Museu da Escola Catarinense rua Saldanha Marinho 

        n. 169  Centro - Florianópolis SC


Horário – dás 08:00h às 12:00h



Data - 28,29 e 30 de março.


A Oficina é gratuita, o material utilizado é de responsabilidade do aluno, sendo que a compra será coletiva, o valor previsto é de R$ 30,00 por aluno. Este valor deverá ser aportado no ato da inscrição.


Inscrição – por email : cursosmesc@hotmail.com


Certificado - será emitida pelo Museu da Escola/UDESC



Coordenação: Prof. Marlene Torrinelli

Ministrante: Kézia Lenderly 


Contato: cursosmesc@hotmail.com 

         infolio@hotmail.com 

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Evangelho de Barnabé


Bíblia com 1500 anos é descoberta na Turquia e Vaticano demonstra preocupação com o conteúdo do livro.


Texto de Márcia Rodrigues.
Saiba mais em: http://tesourobibliografico.com

 

 

Uma bíblia de 1500 anos foi descoberta na Turquia, após a prisão de uma quadrilha que comercializava antiguidades de forma ilegal. O livro, feito em couro tratado e escrito em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus, tem as páginas negras, por causa da ação do tempo.
Segundo informações do site Notícias Cristãs, peritos avaliaram o livro e garantiram que o artefato é original. A descoberta do livro se deu em 2000, e desde então, vinha sendo mantido em segredo, guardado em um cofre-forte na cidade de Ancara.
Estima-se que o valor do livro chegue a 20 milhões de euros, dada sua importância histórica. Após a divulgação da descoberta, o livro foi considerado patrimônio cultural e após a restauração que será feita, o livro será exposto no Museu Etnográfico de Ancara.
Há informações de que o Vaticano demonstrou preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem que especialistas da Igreja Católica pudessem avaliar o livro e seu conteúdo, que se suspeita, contenha o “Evangelho de Barnabé”, escrito no século XIV e considerado controverso, por descrever Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Cianotipia fórmula básica


A cianotipia difere das fotografias fixadas em prata, fotos  em PB, pois utiliza na sua fórmula sais de ferro.
Os sais de ferro são sensíveis a luz UV, essa descoberta devemos a Sir John Herschel que em 1842 desenvolveu a fórmula básica da cianotipia.

Sir Herschel
No ano de 1843 Anna Atkins coloca em prática descoberta de Herschel e publica o primeiro livro ilustrado com fotogramas   Photographs of British Algae: CyanotypeImpressions. Uma maravilha que se conserva até hoje. Anna não passava suas horas bordando, ou freqüentando os pubs. Anna foi botânica e se dedicou ao estudo e catalogação das Algas da costa britânica, no seu tempo livre praticava a fotografia.
Anna
A fórmula básica desenvolvida por Herschel continua atual. Há uma gama de variações publicadas, tentei várias,  porém como sou resistente à moda, fiquei com a fórmula clássica em vigor desde 1842, embora tenha me arriscado testando  principalmente a fórmula desenvolvida por Mike Ware . Resolvi abusar e aquarelei alguns fotogramas, em fim  o  mais complicado foi conseguir todos os químicos.
Fórmula de Herschel
1.    25 gramas de citrato de amónio férrico verde.
2.    10 gramas de ferricianeto de potássio
3.    Água destilada ou deionizada

Atenção - o vermelho é mais barato,  porém não proporciona o mesmo resultado.



Cianótipo aquarelado

Como fazer:
1.    Dilua a 25g de citrato de amônio férrico em 100ml de água 
       - guarde em um frasco   escuro.

2.    Dilua 10 de ferriciaceto de potássio em 100 ml de água 
       -guarde em um frasco escuro.

3.    Misture as duas substâncias em partes iguais.
       use essa mistura no suporte, que pode ser papel ou tecido.

4.    Quando for aplicar no papel empregue moderadamente sem  encharca-lo.

5.    Deixe o papel secar no escuro.

6.  Após seco coloque o papel e o seu fotograma entre duas placas de vidro,    exponha ao sol, o tempo de exposição varia de acordo com a intensidade da luz.

7.    Quando o papel mudar de cor, ficará cinza, retire do sol, levante o negativo 
     lave em água corrente até sair todo o verde amarelado que é o resíduo do cianeto.

8.    Pendure o papel no varal na sombra e feito esta.

Atenção – mesmo que os químicos empregados apresentem baixa toxidade se previna,
                  use luvas e avental.

Material

1               25 gramas de citrato de amónio férrico (verde)
2               10 gramas de ferricianeto de potássio
  1. Água  destilada ou deionizada
  2. Colheres de plástico para medir
  3.  Jarro com medição
  4. 3 frascos de vidro para misturar
  5. Colheres de plástico
  6. Luvas de borracha
  7. Avental ou camiseta velha
  8. Jornal para cobrir superfície de trabalho
  9. Pano de limpeza
  10. Pinceis – que serão descartados
  11. Prendedor de roupa no varal – de plástico
  12. Varal
  13. Papel canson linha estudante 200g
  14. 2 placas de vidro para  impressão do contato
  15. Luz do sol
Saiba mais em:

http://wikipedia/commons/e/e2/Anna_Atkinse

domingo, 4 de março de 2012

O Passado é amanhã


O Passado é amanhã.
                    
Garopaba circa 1950
Quando o homem do paleolítico sentou-se à beira do rochedo e gravou o registro da sua passagem na rocha, nos conta  como contruía suas ferramentas – machados de pedra, pedras finamente polidas capazes de cortar, desenhado  e gravando com seus novos recursos  – pedra polida, gordura animal, sangue e cinza. Este homem certamente não escrevia para o futuro porém ele descreve o passado.

Visitei as oficinas líticas em Garopa e sua Igreja Matriz, registrei o tempo futuro do passado que virá. Não registrei um modo do tempo verbal, o registro que fiz revela  o descaso dos orgãos reponsáveis pela preservação do patrimônio cultural (IPHAN/FCC/Prefeitura Municipal).
oficina lítica
No sítio arqueológico não há sequer  uma placa indicando do que se trata, qual a lei que o proteje, quais os cuidados que um cidadão tem que observar, quando caminha neste espaço.
As pessoas que circulam neste local, turistas em sua maioria, não tem a menor noção do que se trata. Todos batem a areia de suas sandálias, contemplam a paisagem e, o ignoram,  por falta mínima de informação. O Estado sabe da existencia deste e de tantos outros sítios arqueológicos no nosso litoral, por tanto não custa nada colocar uma placa, inserir uma  imagem na folheteria.  Uma simples ação educativa, seria bem vinda.
Igreja de S. Joaquim - Garopaba
A  Igreja de São Joaquim, localizada no alto morro, construida em 1846 sobre uma rocha que servia de base para uma das muitas  armações  de caça às baleias  é  a   vista mais bonita da baia de Garopaba. Feio foi vê-la fechada prestes a ruir.  A torre lateral parece um grande Golem, torta, se inclinando sobre a igreja.
O Golem  vai despencar  na próxima e chuva e  soterrará tudo a sua volta;  os santos em madeira policromada, tombará a Igreja literalmente, apagará as inscrições rupestres e a beleza de suas oficinas líticas.
Quem é o resposável pelo patrimônio público e sua conservação?
 Pergunta boba, é lógico que são os OVINS.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Em fim o sol igual a cianotipia

O óbvio, sem sol a cianotipia é impossível.
 A sombra  revela os fantasmas, as diabrites, os seres que fogem da luz do sol. A pele destes demônios tem uma textura macilenta, úmida, pegajosa. Quando me encontrava na fase pueril da existência li ávidamente H.P. Lovecraft, e  nunca considerei a possibilidade de me confrontar com os demônios descrito por  ele. Eis que me encontro sentada degustando uma chiabatta, quando um destes seres, me aborda. Respirei fundo, engoli com certa resistência o pedaço de pão e fugi. 
 O demônio correspondia a exata descrição de Lovecraft: sorri, tem um olhar apertado e se insinua., no melhor estilo " oi querida como vai, andas sumida, a quanto tempo não te vejo, sabes quem eu vi aqui..." . O padrão é sempre o mesmo.
Quando o demônio  gordo se apresentou à minha frente travestido de mulher e começou a catilinária, tocou a minha sineta interna e corri. Fechei os ouvidos, tapei os olhos, abandonei a chiabatta e em desabalada carreira cortei o corredor e me refugiei no espaço onde queimavam meus fotogramas.