Encadernação Artística

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Tintas Ferrogalicas

Imagem de: http://www.alvissaras.50webs.com/eanes.html
A quem interessar possa informo; as Tintas Ferrogalicas não foram  feitas com o óleo das baleias caçadas na ilha de Santa Catarina no século XVIII.
A tinta ferrogálica é a tinta mais importante da história do ocidente. Conhecida pelos Romanos e utilizada desde  a  Alta Idade Média - século XII. 
É uma tinta difícil de apagar - exceto quando lavada com hipoclorito - logo muito útil para todos os tipos de registros. Em todos os acervos tanto de museus quanto de bibliotecas, urbi et orbi, em qualquer sítio,  encontramos documentos, obras de arte, partituras musicais, atas e registros escritos com tinta ferrogálica.
Leonardo da Vinci, Tiepolo, Goethe, D. Pedro I, Pero Vaz de Caminha, D. Pedro II, Floriano Peixoto, Barão de Batovi, Marques de Pombal, Ir. Joaquim, Alexandre de Gusmão, Joana de Gusmão, o rábula da esquina, todos sem exceção usavam a tinta ferrogálica, por que era o que havia. O desenvolvimento das tintas sintéticas começa em 1867, portanto no século XIX.
O que é a Tinta Ferrogálica?
A tinta ferrogálica é um composto de quatro ingredientes básicos; extrato de ácido tánico - obtido da nóz do carvalho, sulfato ferroso, goma arábica e água. Esta é a  fórmula básica,  não há uma receita definitiva, em lugares de clima frio se usa brend, álcool.  Para colorir mapas, acrescenta-se tintura de pau Brasil,  tintura de pau Campeche. Não há registro de óleo de baleia.
A durabilidade, varia de acordo com a composição da tinta e a qualidade do suporte, papel ou pergaminho.
A tinta ferrogálica em contato com a luz e o oxigenio, se torna corrosiva e ataca o suporte, tanto faz se é papel ou pergaminho, por que o resultado desta mistura é altamente ácido. 
Originariamente a cor da tinta oscila entre o negro, negro azulado, com o passar do tempo muda para o marrom, é uma tinta instável, a acidez da tinta migra de uma página para outra página produzindo sombras, manchas borradas. 
A corrosão,  acontece devido a natureza higroscópica do papel - quando a umidade  da atmosfera esta alta se expande, quando esta baixa as fibras do papel se contraem, tornando o papel quebradiço. O resultado da degradação da celulose e a reação química da tinta danificam o papel. Porém não é em um século que este fenômeno ocorre, é lento e depende muito das condições e dos cuidados, da conservação.
Fatores de degradação;
- a tinta: composição e quantidade aplicada.
- o papel: composição e espessura.
- acondicionamento, condições sanitárias do acervo.
- luz: solar, luz ultra violeta.
- restauradores: lavar o papel a fim de deixá-lo branco com hipoclorito.

 Saiba mais em :  Manual do Artista de Ralf Mayer, Segredos de Oficina.

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