quinta-feira, 30 de abril de 2009

Prece - Fernando Pessoa

XII. PRECE

    Senhor, a noite veio e a alma é vil.
    Tanta foi a tormenta e a vontade!
    Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
    O mar universal e a saudade.

    Mas a chama, que a vida em nós criou,
    Se ainda há vida ainda não é finda.
    O frio morto em cinzas a ocultou:
    A mão do vento pode erguêla ainda.

    Dá o sopro, a aragem --ou desgraça ou ânsia-- 
    Com que a chama do esforço se remoça,
    E outra vez conquistaremos a Distância --
    Do mar ou outra, mas que seja nossa!


Cartas de amor

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas. 
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas. 
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. 
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas. 
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. 
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas. 
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.) 
Álvaro de Campos, 21-10-1935 

domingo, 26 de abril de 2009

Marmorização com cola


Marmorização com cola de amido - maizena. É o meu padrão favorito. O mais fácil de todos os padrões que tentei fazer. Não é necessário grandes aparatos ou ferramentas. A receita é simples e o resultado fantástico. Utilizo sempre esta técnica quando o tempo é seco e frio, adiciono algumas gotas de sabão líquido a base de glicerina, dois ou três  tons de tinta e a festa esta feita... Belas capas com resultado surpreendente.   

Martinho de Haro

Paisagem de Florianópolis do século passado. Cais, a ponte no fundo, é um raro registro de uma cidade inexistente hoje.  A Florianópolis de Martinho cedeu lugar a uma cidade quase desalmada com um transito pesado, pontes, viadutos e filas intermináveis. Quem sonha com uma cidade tranquila e longe da violência, do caos urbano, é certo que a encontrará na representação do que foi. Hoje Florianópolis caminha impulsionada pelo progresso agressivo, sem rosto.

Bonefolder


Novo número da revista Bonefolder 

www.philobiblon.com/bonefolder/vol5no2contents.htm