Encadernação Artística

sábado, 30 de abril de 2011

Ernesto Sábato - Traduzido no Brasil por Janer Cristaldo

Sábado, Abril 30, 2011


SOBRE ERNESTO SÁBATO (I)
(entrevista concedida à professora Inês Skrepetz)
Inês Skrepetz - Você acha que Ernesto Sábato é um intelectual humanista? Por quê?

Janer Cristaldo - Todo intelectual sempre se pretende um humanista. Tanto os marxistas cuja filosofia massacrou cem milhões de pessoas em busca do homem novo e da sociedade justa, quanto os nazistas que mataram outros tantos em nome da pureza racial. Sábato começou sua vida como militante comunista. Certamente se considerava um humanista naqueles dias. E certamente continuou se considerando humanista quando percebeu seu equívoco e passou a criticar o comunismo.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Se há algo que não entendo no mundo, é o culto a personagens míticas. Por exemplo, as bodas reais na Inglaterra. Que fizeram de importante na vida o príncipe William e a Kate Middleton para atraírem a atenção de dois bilhões de pessoas no mundo, que é o número estimado de telespectadores do enlace? Um nasceu príncipe e ela, plebéia, foi a eleita do príncipe. E daí? O culto a eles prestado pelas multidões em nada difere ao culto um dia prestado a Hitler ou Stalin, Mao ou Kim Il Sung, Beatles ou Bono Vox.
Ou melhor, talvez entenda. Estes espécimes foram muito bem definidos no século passado por um judeu da Ucrânia. É o Kleinen Mann, de Wilhelm Reich. Ou o Zé Ninguém, como foi traduzido em português: “O homem pequeno é aquele que não reconhece sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandezas alheias. Que se orgulha de seus grandes generais mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve, mas jamais as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar”.



Daí a acreditar no papa, em Hitler ou Stalin, basta um pequeno passo. Estas gentes, eu as conheço desde minha adolescência. Continua Reich: “Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém. Dizes: ‘quem sou eu para ter opinião própria, para decidir sobre minha própria vida e ter o mundo como meu?’ E tens razão: quem és tu para reclamar direitos sobre tua vida? Deixa-me dizer-te.
“Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo grande homem foi um dia um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza em seu modo de pensar e agir. O grande homem é pois aquele que reconhece quando e em que é pequeno”.
Mas Reich falava do grande homem. Que grandeza tem o principito? Se tem alguma, desconhecemos. Ao que tudo indica, a época anda carente de contos de fada, com príncipes e cinderelas, carruagens e castelos. Só falta o dragão. Dragão tem pouco prestígio nos dias que correm. Milhares de pessoas estão acampando nas proximidades da Abadia de Westminster para esperar a passagem dos noivos. Até parecem os panacas que em São Paulo acamparam junto ao Morumbi para ver um apologista das drogas e um sonegador do imposto de renda, o McCartney e o Bono Vox.
Não tenho apreço nenhum por esses personagens construídos pela mídia. Sim, porque é a mídia quem os constrói. Os jornalistas os criam e depois passam a prestar-lhes culto, como se algum valor tivessem. Para que serve um rei? Pelo que sei, para receber colegas e posar para cartões postais. Não por acaso, a imprensa – a mesma que os alimenta – criou a expressão “rainha da Inglaterra”, para definir a condição de um político que ocupa um alto cargo mas não dispõe de poder algum.
Gilles Lapouge, o correspondente do Estadão em Paris, tenta uma resposta ao enigma, em sua coluna de ontem: “A questão é a seguinte. Por que ato de prestidigitação essa monarquia, que não serve para absolutamente nada, continua a fascinar? Lembremos que o rei tem três funções apenas: ele outorga honrarias, nomeia o primeiro-ministro que o Parlamento lhe diz para nomear e dissolve, nas mesmas condições, o Parlamento.
“A essa pergunta, podemos dar respostas racionais. "Esse sistema assegura a permanência de uma classe dominante competente, unida pelos laços de família, de geração em geração", disse Edmund Burke, no século 17".
Será que assegura? Os franceses guilhotinaram seus reizinhos e a França, hoje, bem ou mal, é dirigida por uma classe dominante competente. Verdade que, ao visitarmos os castelos da realeza francesa, as guias turísticas a ela se referem com um ar nostálgico. Suponho que os franceses, diante da pompa toda de Londres, a cada vez que ocorrem tais bodas, sintam-se profundamente arrependidos de terem cortado a cabeça de seus reis.
Já estive perto de rainhas e príncipes. Mas por acaso, quase sem saber. Faz uns bons vinte anos, talvez trinta. Eu estava em Madri, no hotel Inglés, na Calle Del Viejo Idiota. Ou seja, na Calle de Echegaray. José Echegaray, personagem polêmico de fins do século XIX, era engenheiro, matemático, dramaturgo, político... e recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1904. Valle-Inclán, escritor galego que vivia na mesma rua, dava como endereço Calle del Viejo Idiota. E consta que mesmo grafando assim o endereço, recebia correspondência.
Já contei, mas o caso é pertinente. Na Calle del Viejo Idiota há um restaurante que nada tem demais, a não ser ser simpático. É o La Cacerola. Antes de las doce del medio-día, você paga apenas o que come. O que bebe é brinde. Como em viagens não sou de acordar cedo e considero que dez horas é um momento indelicado para tomar café, começo com alguns pinchos regados a cerveja ou vinho. Naquele dia havia uma excitação inusual no boteco. Uma velhota saía e voltava a toda hora para limpar as vitrines pelo lado de fora. Era a cozinheira do Cacerola. Eu ainda não havia lido os jornais, não imaginava o que me esperava.
Lá pelas tantas, a faxineira entra aos pulos na sala, gritando: “yo lo he visto. El principito. Y me hacía así”. E fez o sinal de quem acenava. Só então me dei conta que estava presenciando um momento histórico e não sabia. Saí do bar e olhei para a Carrera de San Jerónimo, que corta a Calle del Viejo Idiota. Um aparato colossal de segurança, que se estendia do Palácio Real até o Paseo del Prado, tomava conta das ruas e telhados.
Era o juramento do príncipe Filipe às Cortes Espanholas. Junto com o príncipe vinham rei, rainha e as infantas, mais um corpo de cavalaria mais ajaezado que um toureiro com seu traje de luces. A cozinheira ganhou seu dia naquela manhã. Deve ter passado meses e meses feliz, sentindo-se íntima do principito.
Estranho o poder dos donos do mundo. Quantas pessoas Filipito terá feito feliz, com um simples olhar dirigido à Calle del Viejo Idiota?
Abril de 1980 foi um mês pródigo para tropeçar em personalidades. No dia 16, eu bebericava uma cerveja e lia no Select, no Boulevard du Montparnasse. Lá pelas tantas, um burburinho perpassou o café e muita gente foi para a rua. É que passava na esquina, rumo ao cemitério Montparnasse, um ilustre cadáver, o de Sartre. Certamente, o mais famoso e equivocado pensador do século passado. Nem retirei meus olhos do livro. Podia estar passando ali o cadáver de De Gaulle, não me diria nada.
No dia 30 do mesmo abril, estive na coroação da rainha Beatrix, na Holanda. Também por acaso. Era feriadão na França e levei duas amigas parisienses para conhecer Amsterdã. Não havia uma mísera vaga nos hotéis. A menos que buscássemos um a pelo menos cem quilômetros de distância. Decidimos dormir no carro, à beira de um canal. Acordei cheio de pelos com um cachorro me lambendo a barba. Da Beatrix, só tenho uma lembrança. Atrapalhou meus dias de Amsterdã.
Ah! E também já vi o papa. No caso, o João Paulo II, que domingo que vem competirá postumamente com as bodas de Londres. Será o dia de sua beatificação. Quem deve estar vibrando, lá no Além, é o sacerdote mexicano Marcial Maciel, o fundador dos Legionários de Cristo, morto em 2008.
Acusado de abusar sexualmente de mais de 20 seminaristas - incluindo os próprios filhos - Maciel teve filhos com várias mulheres e, como um outro santo moderno, o Martin Luther King, foi plagiador emérito: plagiou descaradamente o livro de cabeceira da legião, intitulado Saltério de Meus Dias, e impôs a toda a organização um quarto voto de silêncio para se proteger de denúncias. Um de seus antigos colaboradores o acusa inclusive de ter envenenado seu tio-avô, o bispo Guízar, que apoiou a bem-sucedida carreira eclesiástica do sobrinho no México dos anos 1930.
Deste santo senhor, temos fartas fotos sendo abençoado pelo papa João Paulo II, recebido em audiência especial no Vaticano. Centenas de denúncias sobre o padre Maciel chegaram à mesa de Wojtyla. O papa as desprezou. Maciel enchia praças e estádios de futebol em suas viagens pelo mundo. Era merecedor da benção papal. Não é todos os dias que um pedófilo priva com um papa. Daqui a dois dias, um milhão de pessoas estará homenageando o santo homem que abençoou um criminoso.
Mas falava que vi Sua Santidade. Eu passeava às margens do Tibre, quando ouvi uma voz tronituante que vinha dos céus. Pensei ser o próprio Cara. Mas falava em italiano. Como era de supor-se que Jeová falasse hebraico, conclui que devia ser seu vice. Era. Uma multidão de carolas o ouvia na Piazza San Pietro.
Em suma, se coincidi num mesmo ponto geográfico com essas sumidades, foi por mero acaso. Sou um pouco como Julien Sorel, o personagem de Stendhal, que estava na batalha de Waterloo e não tinha idéia precisa do que acontecia ali.
Não tenho preocupação alguma com o tal de sucesso. Sucesso é uma soma de equívocos. Mas guardo ternas lembranças dos bons momentos que passei com anônimos amigos e namoradas, em singelos botecos da vida.

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Todos juntos!!

MAPH - clube de xadrez de Curitiba

nene e   papi

Festival de Teatro Amador de Curitiba

Bondinho da Leitura
Todos juntos, como dizia Dona Maria... assim vamos nós ... Estivemos passeando em Curitiba uma cidade encantadora, jogando xadrez e curtindo na feira do Largo da Ordem. Levei Cloé para conhecer o Stwart na Boca Maldita, visitamos os museus, confraternizamos com os nossos primos. Foi muito agradável, trouxemos uma nova expressão - não me chame de Silvinho...Estava acontecendo o festival de teatro amador de Curitiba, muito legal. Viajar é preciso, amo Curitiba!

Oficina de Encadernação

Em parceria com Associação Catarinense de Bibliotecários - foi realizada  mais uma oficina, dessa vez focada nos pequenos reparos dos livros de uso corrente nas bibliotecas.
- Reparo dos cantos, colocação de guardas, troca de capas, em fim tratamento simples e prático para questões do cotidiano. Tambem foi praticado a marmorização de papel com belos resultados.
Apoio - Biblioteca Pública de Santa Catarina.
Organização - ACB


Participação especial - 1a. Turma do curso de Arquivologia da Ufsc.
Meu agradecimento, a todos que colaboraram com o sucesso do nosso evento.

Promessa feita promessa cumprida

Procissão do Senhor dos Passos - onde todos são iguais desde 1767.
Local em que trabalhei na transcrição dos Livros de Atas em 1987/89.

Do século XIV ao XVIII, aproximadamente, em Portugal, a Procissão se realizava na Quinta-Feira Santa, mas acabou sendo antecipada para um dia anterior e oportuno, devido a controvérsias litúrgicas, até se firmar nas Quintas-Feiras da semana anterior ao Domingo de Ramos.
Particularmente, nos Açores, de onde se transferiu à Ilha de Santa Catarina, a Procissão ocorria, e ocorre ainda hoje, em várias Capelas e Freguesias das diversas ilhas, em dias diferentes da semana anterior à Semana Santa.
Em Florianópolis, antiga Desterro, a primeira celebração teria acontecido em 1766, em uma Quinta-Feira, dois anos após a chegada da imagem à Desterro e da fundação da confraria "Irmandade do Senhor Jesus dos Passos", conforme referência assentada na 1ª prestação de contas dessa Irmandade, datada de 27 de setembro de 1767. Ali estão registradas despesas efetuadas com sermões, fitas, tecidos, linhas, cera, feitio de balandrau, entre outras, para a Procissão de 1766 (Fontes, 1765).
Esperidião Amim

pagando promessa

Duduco e seus filhos

Musquito sem tijoladas.


Higienização de Documentos



documentos antes da higienização


A higienização do acervo é um dos procedimentos mais significativos existentes no processo de conservação de materiais bibliográficos uma vez que irá retirar do documento os agentes responsáveis pela sua deterioração tais como: poeira, detritos de inseto, grampos de metal, traça, barata morta, cabelos, fungos e tudo o que sua imaginação conseguir listar.





A  técnica de higienização consiste basicamente em  manter o acervo limpo, porém os acervos não redem votos, logo  o governante pouco caso faz, em geral quem trabalha nesse setor é um cabo eleitoral, e sua equipe é composta por pessoas sem qualificação para a função - higienizar e estabelecer uma rotina no controle das pragas, aplicar a tabela de temporalidade  - os funcionários "problemas" são desterrados para o Arquivo afim de cumprir sua pena, no melhor estilo, fica lá e não incomoda. Esse é  um caso clássico confira in loco visitando o Arquivo Histórico de Florianópolis - fica bem no centro da cidade, em frente a Praça XV.

detritos retirados

Fator de degradação dos Acervos.
Fator humano.
Não é tarefa  fácil e simples de realizar - higienizar, faxinar o acervo -  e preciso conhece-lo, o que inclue o meio  ambiente. A maior dificuldade é manter a rotina e treinar o pessoal responsável pelo setor. O básico é bem complicado pois a maioria das pessoas tem resistência em mudar seus hábitos, o mais comum é fazer sua merenda no local do trabalho. Lavar as mãos, trabalhar com luvas, usar avental, usar máscara descartável, são procedimentos de proteção individual, tais exigencias soam quase como um insulto, é cultural... 

Agentes biológicos

remoção de grampos

A poeira é considerada como grande inimiga da conservação dos documentos uma vez que, contém partículas de areia que cortam e arranham; poluição ambiental , mofo e inúmeras impurezas, a humidade e degradam o papel. "Desta forma, a poeira depositada dia após dia sobre os livros e documentos, causa sérios danos para a conservação do acervo. O seu acumulo na superfície das obras, interfere no seu aspecto estético e constitui-se numa fonte de acidez e degradação. Desta forma, a higienização deve ser executada de forma sistemática, com o objetivo de manter o acervo livre dessa fonte contínua de acidez, deixando-o o mais saudável possível."

A técnica
" O método mais simples é a remoção do pó e demais sujidades a seco, denominada de higienização mecânica a seco. Procedimento que consiste na remoção do pó das lombadas e partes externas dos livros com um aspirador de pó, utilizando-se baixa potência e com protecção na sucção. Na limpeza das folhas utilizam-se escovas macias e flanelas de algodão. De forma a realizar uma limpeza eficiente e sem riscos deve ser efetuada com pó de borracha através da sua aplicação em pequenas quantidades sobre as superfícies desejadas mediante movimentos suaves e circulares. Posteriormente, deverá ser removido com um pincel, devendo ser manuseado no sentido de baixo para cima, direcionando todos os resíduos, para que seja realizada a sucção existente na mesa própria de higienização de livros."

Saiba mais em: http://panucarmi2.wikidot.com/higienizacao