terça-feira, 6 de novembro de 2007

Marmorização de Papel à Cola.


A técnica de Marmorização de Papel com cola é certamente anterior a todas as outras, pois sua preparação não implica em um grande aparato: basta misturar tinta com cola de farinha, a seguir estender esta mistura com uma broxa sobre uma folha de papel.

O papel serve de suporte às cores empregadas na mistura. Recomenda-se usar papel feito à mão de boa gramatura, papel vergé, ou qualquer papel para gravura.

As cores tradicionais utilizadas neste processo são:
  • O azul derivado do índigo - pequeno arbusto das regiões quentes;
  • O vermelho – muito comum ser extraído da cocção da casca do pau brasil ou madeira de pernambuco;
  • O marrom – pigmento extraído da terra de Siena e moído.

Nessa época os artesões preparavam suas tintas a partir da combinação dos pigmentos naturais.

Hoje tudo ficou mais fácil, você não precisa passar por todo esse processo, eis a receita do século XXI desenvolvidas por mim.

Materiais

  • Papel de canson gramatura 180 – cor branca
  • Carbox Metil Celulose – 50g
  • Sabão neutro / detergente
  • Tintas acrílicas
  • Uma placa de vidro ou de fórmica – maior que a folha de papel
  • Esponja, escovas, broxas. pentes
  • Jornais velhos, pote de iogurte


Como fazer
1. prepare a cola – leia o post sobre como fazer uma cola neutra –
2. separe a cola em pequena quantidade, nos potinhos;
3. adicione as tintas. As tintas acrílicas são excelentes;
4. adicione 4 gotas de sabão;
5. umidecer delicadamente o papel com a esponja evite molhar muito;
6. coloque sua folha sobre o vidro e aplique a cola;
7. Respire e relaxe;
8. utilize os dedos, os pincéis, crie seu próprio padrão não demore muito pois a cola seca rápido;
9. veja o resultado da aplicação dessa técnica nas fotos das oficina de encadernação e marmorização de papel;
10. na web tem muitos links interessantes pra você pesquisar.

domingo, 4 de novembro de 2007

xadrez

Quando te vi pela primeira vez sai correndo
jogava xadrez
quando eu jogo xadrez
estou em paz
jogar xadrez é estar em paz
não importa o resultado

te vejo

prefiro não te ver
prefiro te beliscar
tocar teu corpo, te fazer rir

no banco da praça
sequei tuas lágrimas
teu lábios tremiam chicotevas ar com os dedos

não fujo

visto o mesmo dominó
sofro de asma
sou alergica
ontem comi cogumelos
comer cogumelos é sentir a presença da terrível senhora

quando a terrível senhora se acerca

trato de espantar
com rezas..

adoro jogar xadrez
o xadrez é inebriante

Me afasto, como quem recusa o prato favorito
sabes por que mulher...?

Quando os nossos olhos se encontraram pela primeira vez
um querubim nos flexou
jogavamos xadrez

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

poema em linha recta

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos