sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gregório de Matos



leia em:  Gregório de Matos

  cidade da Bahia
A cada canto um grande conselheiro.
que nos quer governar cabana, e vinha, 
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.
 

Por consoantes que me deram forçado

Neste mundo é mais rico o que mais rapa;

quem mais limpo se faz, tem mais carepa;

com sua língua, ao nobre o vil decepa;

o velhaco maior sempre tem capa.


Mostra o patife da nobreza o mapa;

quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

quem menos falar pode, mais increpa;

quem dinheiro tiver, pode ser Papa.


A flor baixa se inculca por tulipa;

bengala hoje na mão, ontem garlopa;

mais isento se mostra o que mais chupa;


para a tropa do trapo vão a tripa,
e mais não digo;
porque a Musa topa
em apa,
em epa, em ipa, em opa, em upa.

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